O lado obscuro das redes

Com o avanço tecnológico asinternet_texto pessoas estão cada vez mais conectadas no âmbito virtual e mais propensas ao encurtamento das distâncias. A convivência nas redes sociais alteram o modo das relações e causa superficialidade à paisagem social moderna. Estudos das Universidades de Houston e Palo Alto, nos EUA, revelam que as pessoas que passam mais tempo no Facebook relatam sintomas depressivos mais elevados devido a constantes comparações sociais.

 A grama do vizinho é sempre mais verde

Um dos principais fatores ligados à tristeza e ansiedade são as comparações que ‘aborrecem’ a maioria dos usuários. O que faz com que a grama do vizinho sempre seja mais verde. Porém, há vários tipos de edições e truques que as pessoas utilizam para ‘melhorar’ a aparência de suas fotos/vídeos e postagens, o que gera uma boa imagem nas redes. Além disso, as páginas pessoais são consideradas como uma bolha – uma zona de conforto-, pois apenas seguimos aqueles que demonstram ter algum tipo de consideração e afinidade conosco. Dificilmente terá alguma pessoa que discorde de suas opiniões e não vá com a sua cara. As relações na web fogem das diferenças e as redes se tornaram uma válvula de escape tão viciante quanto às drogas.

Sou um viciado em internet?

Segundo um estudo da Universidade de Hong Kong, 6% da população mundial é viciada em internet. O planeta tem cerca de 7 bilhões de habitantes e quase 420 milhões de pessoas são cyber dependentes, sendo que apenas 39% da população possui acesso à rede.
Geralmente o vício é acompanhado de transtornos mentais, como déficit de atenção, depressão e hiperatividade.

Aqui você pode fazer um teste, elaborado pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, para saber seu nível de dependência. O Instituto trabalha há sete anos com terapia e acompanhamento psicológico e psiquiátrico aos dependentes.

Você sabia?

Você sabia que na China existe um quartel de disciplina militar anti-rede para adolescentes?
Todos os jovens têm problemas com a vista, com as costas e sofrem de transtornos alimentares. Além disso, um estudo comprovou que a capacidade cerebral deles diminui 8% e as afecções psicológicas são graves.

“O vício em internet provoca no cérebro problemas similares aos derivados de consumo de heroína, destruindo as relações sociais e deteriorando o corpo”, afirma Tao Ran, psiquiatra e coronel do exército popular de libertação chinês.

Veja a matéria completa do El País aqui.

Tempo perdido

Já parou para pensar o tempo que perdemos logo de manhã? Geralmente é bem comum entre os usuários das redes logo cedo checarem suas páginas. Porém, o que se gastaria apenas uns cinco minutos para ver algo importante, acaba se tornando horas. Um link nos leva a outro, um comentário aqui, um like acolá. Fazendo isso você já começa o dia com a cabeça cheia. Conta com as expectativas embasadas nas postagens de ‘amigos’ e se frusta ao comparar as diferentes realidades – sendo ela maquiada ou não.

Será que são realmente conteúdos importantes e relevantes? O que poderia ser feito nesse tempo gasto? Um café da manhã melhor? Um preparo mais elaborado para o dia? Deixar de procrastinar alguma tarefa? Ter uma conversa real com alguém a caminho do trabalho? Qualquer alternativa que nos traga para a vida de carne e osso é válida.

Influências e crise de identidade

A insatisfação pessoal vem à tona e com isso, a tristeza e a depressão. O mundo perfeito do Facebook gera frustração na maioria dos usuários, que levam a pensamentos negativos desde o  padrão estético às grandes conquistas de algum colega. Leva ao questionamento, crise de identidade e inveja.

Os padrões de beleza e corporal impostos pela sociedade, exaltados pela mídia e devorados pela internet têm o enorme poder de influenciar grande parte da população, principalmente os jovens. Estes também são as principais vítimas de depressão, transtornos mentais e nos casos mais graves, suicídio.

As pessoas devem se tornar juízas ao serem pressionadas a dar sua opinião sobre tudo e todos os acontecimentos o tempo inteiro. A falta de conhecimento e informação sobre o assunto gera comentários raivosos de extrema agressividade. Para alguns o ‘anonimato’ e a distância que a tecnologia oferece são escudos para se falar o que quiser. Prática conhecida como cyberbullying e que pode influenciar opiniões através de discursos e incitações ao ódio.

Se você quer ser mais feliz, é melhor dar um tempo do Facebook

É o que sugere uma pesquisa realizada na Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

A constatação é resultado de um experimento conduzido por Tromholt com 1.095 participantes dinamarqueses no fim de 2015. Metade do grupo, selecionada aleatoriamente, foi orientada a ficar fora do Facebook durante uma semana.

A consequência? Essas pessoas apresentaram níveis mais altos de satisfação com a vida e de emoções positivas do que os integrantes do grupo que continuou usando a rede social.

“Comparando o grupo de tratamento (participantes que ficaram fora do Facebook) com o grupo de controle (aqueles que continuaram usando a rede social), foi constatado que tirar uma folga do Facebook tem efeitos positivos em dois aspectos do bem-estar: nossa satisfação com a vida aumenta e nossas emoções se tornam mais positivas”, relatou Tromholt.

Em uma escala de 1 a 10, o nível de satisfação com a vida de quem estava no grupo que continuou usando a rede social subiu 0,08 pontos, passando de 7,67 para 7,75 no fim do experimento.

Já os “desconectados” apresentaram um aumento de 0,56 pontos no quesito, saltando de 7,56 para 8,12. (trecho retirado da BBC)

Zygmunt Bauman sobre as redes

“A diferença entre a comunidade e a rede é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence a você. É possível adicionar e deletar amigos, e controlar as pessoas com quem você se relaciona. Isso faz com que os indivíduos se sintam um pouco melhor, porque a solidão é a grande ameaça nesses tempos individualistas. Mas, nas redes, é tão fácil adicionar e deletar amigos que as habilidades sociais não são necessárias. Elas são desenvolvidas na rua, ou no trabalho, ao encontrar gente com quem se precisa ter uma interação razoável. Aí você tem que enfrentar as dificuldades, se envolver em um diálogo. O papa Francisco, que é um grande homem, ao ser eleito, deu sua primeira entrevista a Eugenio Scalfari, um jornalista italiano que é um ateu autoproclamado. Foi um sinal: o diálogo real não é falar com gente que pensa igual a você. As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.”

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